terça-feira, 23 de junho de 2026

Continuação... Um exemplo da violência psicológica continuada e persistente

tinhamos feito as pazes..dormimos juntos em Lisboa e viemos mostrar a minha casa situada nas arribas mesmo defronte ao rio sado e troia (eu tinha uma certa vaidade por morar ali) a mãe dela, que tinha vindo do norte passar uns dias com ela e também com a outra filha. aproveitámos para vir mais cedo e almoçar num dos melhores restaurantes de Setúbal (sim daqueles que nem todos conhecem... não fica na baixa, nem junto ao mar.. onde vão os setubalenses). correu tudo muito bem.. fomos muito bem servidos.. a senhora mãe tinha gostado muito e ela estava feliz por fazer parte daquela harmonia... e eu claro, também sentia aquele orgulho de ser o cicerone desta pequena viagem. de seguida fomos mostrar a minha casa à senhora mãe, que ficava ali perto. mostrei a sala com aquela vista deslumbrante.. a varanda... enfim estávamos ali conversando enquanto ela foi à casa de banho. e de repente aparece com um livro na mão.. "Carlos, o que é isto?.. era então uma dedicatória da autora dum livro, que eu tinha na mesa de cabeceira, e que era uma história com factos verídicos de escalada onde apareciam nomes reais de veteranos de escalada. expliquei que tinha comprado um livro para oferecer à minha irmã que tinha feito anos e com dedicatória da autora (eu conhecia-a do Facebook) ... achei que era uma prenda original. e aproveitei, já que estava na presença da autora, para também comprar este livro que tinha a ver com a minha actividade física... a escalada. (claro, também com dedicatória). e aí... é que foi o busílis.. a dedicatória. tínhamos feito as pazes... estávamos felizes eu nem queria acreditar que aquilo me estava a acontecer .. em frente à senhora mãe.. já com oitenta e cinco anos..nunca tinha acontecido. tinhamos sempre moderação em frente à senhora. e eu sem saber o que dizer.. nem como justificar porque tinha uma dedicatória duma mulher (autora) num livro. mãe...vamos embora.. eu não aturo mais isto.. mas esperem dizia eu ..vamos sentar aqui no sofá... não, vamos embora..mas vão como? esperem eu levo-vos no carro. não, vamos a pé até à estação dos comboios.. e assim seguiram a pé e eu de perto com o carro a querer dar lhes boleia. e assim se transformou um prazer em algo incompreensível... e eu hoje penso que era a minha expressão de medo ... de pânico..que lhe acicatava o ânimo tentando descobrir o que haveria por detrás de cada silêncio meu (porque já não tinha o que dizer)... fala.. diz alguma coisa.(costumava dizer)

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